O roteiro, cena por cena
As cinco em fila
Na tela: as cinco malas em pé, lado a lado, sobre um fundo liso. Uma linha no chão marca a mesma base para todas. Embaixo de cada uma, o nome e o peso vazia.
Olhando de longe, quatro delas têm a mesma altura. A quinta, a Davos P da Travelux, fica mais alta e mais larga. Ela está aqui de propósito, porque é o tipo de mala que aparece na busca por “mala de bordo” e não é.
A pergunta do vídeo é simples: qual dessas vai com você para dentro do avião, e qual deixa mais peso livre para a roupa. Porque a bagagem de mão tem limite de peso, e a mala vazia já come uma parte dele.
A régua da cabine
Na tela: um retângulo desenhado no chão, com 55 cm de altura, 35 de largura e 25 de fundo. A legenda diz “régua de exemplo, contando rodas e alças”.
Primeiro, a regra. A Anac garante um piso: nenhuma companhia pode oferecer menos de 10 kg de bagagem de mão por passageiro. Já as medidas, e quantas peças você leva, ficam por conta do contrato de cada companhia. Não existe uma medida oficial única.
A medida que mais aparece entre as companhias grandes do Brasil é essa do retângulo, 55 por 35 por 25 centímetros. É a régua que a gente usa no vídeo. A régua que vale de verdade é a do seu bilhete, e ela muda de uma tarifa para outra (tem tarifa que só deixa levar mochila).
Um detalhe que pega muita gente: a régua conta tudo. Roda, alça de puxar, bolso da frente. A companhia não lê etiqueta. Ela mede a mala como ela chega ao portão.
A pequena que não é de bordo
Na tela: a Davos P entra no retângulo. Sobra mala em cima e dos lados. Aparecem duas setas: 3 cm na altura e 5 cm na largura. Depois, um recorte da ficha da Travelux.
A Davos P mede 58 por 40 por 24 centímetros. No fundo, ela até cabe, com 1 cm de folga. Só que uma medida não paga a outra: mala alta demais continua alta demais.
E aqui vai um ponto para a Travelux. Na ficha do produto, a marca escreve, sem rodeio, “Vai a Bordo: Não”. Poucas marcas avisam isso com essa clareza.
O problema está no anúncio. Na loja, a mesma mala aparece com “10 kg” no nome, o mesmo número da bagagem de mão. Quem compra pelo título leva para casa uma mala que vai ter de despachar. Nosso conselho: antes de comprar qualquer mala “de bordo”, leia as três medidas e esqueça o nome.
Ela não é ruim por isso. Para viagem de carro, de ônibus, ou para despachar num voo curto, uma mala pequena e leve de tecido resolve. É outro uso.
Quanto sobra para a roupa
Na tela: uma balança. Cada mala sobe vazia, e o número aparece grande. Ao lado, uma barra de 10 kg se enche com o peso da mala, e o resto fica livre.
A conta é com o piso de 10 kg. A Bahia Lite pesa 2,1 kg vazia e deixa 7,9 kg para o que vai dentro. A Upscape pesa 2,2 kg e deixa 7,8 kg. A Bon-X e a Varro pesam 2,6 kg cada e deixam 7,4 kg. A Davos pesa 2,8 kg, mas a conta dela é com o limite de despacho, porque ela não vai a bordo.
Entre a mais leve e a mais pesada das que vão na cabine, a diferença é de 500 gramas. Parece pouco. Para quem viaja com a mala no limite, é a diferença entre o casaco ir na mala ou no corpo.
E repare: duas malas rígidas da mesma marca, com o mesmo plástico, pesam diferente. A Upscape é 400 g mais leve que a Bon-X. Material igual não quer dizer peso igual.
Casco ou tecido
Na tela: a Bahia Lite e a Upscape vistas de cima, lado a lado. Depois, a Bahia Lite bem cheia, e uma régua mostrando o fundo.
Três das cinco são de casco rígido de polipropileno (um plástico resistente e leve): Upscape, Bon-X e Varro. A Bahia Lite e a Davos são de tecido, de poliéster.
A mala de tecido tem uma vantagem clara, que é o peso. A Bahia Lite é a mais leve das cinco, 100 gramas abaixo da Upscape e meio quilo abaixo da Bon-X.
A desvantagem também é clara. Tecido cede. Bem cheia, ela fica mais gorda que os 25 cm da ficha. O casco rígido não cresce sozinho: o que ele mede vazio, ele mede cheio, a não ser que você abra a expansão.
Nesse ponto, a Upscape tem um detalhe a favor. O fundo dela é de 23 cm, 2 cm a menos que a régua. É a única das cinco com folga no fundo. A Bon-X, a Varro e a Bahia Lite encostam no limite, com 25 cm cravados.
Rodas, cadeado e o zíper que cresce
Na tela: close nas rodas de cada mala, girando. Depois, o cadeado de cada uma. Por fim, o zíper de expansão sendo aberto na Bon-X.
As cinco têm rodas que giram para todo lado. A Upscape tem um detalhe a mais: a Samsonite informa suspensão nas rodas. Na Bon-X, a página da marca se contradiz. A ficha fala em 4 rodas duplas, e a descrição fala em 8 rodas. São as mesmas rodas contadas de dois jeitos.
Todas têm cadeado TSA (o padrão que a fiscalização de bagagem dos Estados Unidos abre com chave própria, sem quebrar). Na Varro e na Bon-X, ele vem embutido no casco.
E as cinco são expansíveis, com um zíper que aumenta o fundo. O cuidado é este: com o zíper aberto, a mala passa a régua do fundo. Expansão é para a volta despachada, cheia de compras, não para a cabine. Na Bon-X, na Bahia Lite e na Davos, a marca nem informa quanto a mala cresce.
Garantia: de 3 meses a 10 anos
Na tela: uma linha do tempo com cinco barras. A da Davos é um traço curtinho. A da Varro atravessa a tela.
Aqui a diferença é a maior do vídeo inteiro. A Varro tem 10 anos de garantia, segundo a Samsonite. A Upscape, a Bon-X e a Bahia Lite têm 5 anos. A Davos tem 3 meses.
A Samsonite informa o prazo e não detalha o que a garantia cobre. Antes de comprar pensando nos 10 anos, peça as condições por escrito. Pergunte, com todas as letras, se roda e casco entram.
A nossa escolha
Na tela: as cinco de novo em fila. Três delas acendem, uma de cada vez, com uma frase curta embaixo.
Para quem vive brigando com os 10 kg, a nossa escolha é a Bahia Lite. É a mais leve das cinco e tem a medida exata da régua. Só não encha demais, porque tecido cheio passa do fundo.
Para quem prefere casco rígido, a escolha é a Upscape. É a rígida mais leve e a única com folga no fundo. Segunda opção: a Varro, se a garantia de 10 anos pesar mais para você do que os 400 gramas a mais.
A Bon-X fica no meio. Não erra em nada, mas também não ganha em nada das irmãs.
E a Davos P fica para quem precisa de uma mala pequena para despachar ou para viajar de carro. Para a cabine, a própria Travelux já respondeu.
O que este vídeo não responde
Nenhuma ficha diz se a mala passa no gabarito do seu voo, cheia, no dia do embarque. Cada companhia mede do seu jeito, e a régua do vídeo é só um exemplo. Com a mala pronta, a fita métrica de casa resolve antes de você sair.
A altura e a largura da Varro vêm do anúncio, porque a Samsonite publica só o fundo dela. E a capacidade da Davos a Travelux não informa.
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